Esse é o último texto que publico aqui pelo Tumblr. Os próximos (assim como os anteriores) estarão todos no julianojubash.wordpress.com

Nosso abraço é nosso porque você me chamou a atenção. Disse que você era boa de abraçar e você me corrigiu, colocou a frase na terceira do plural. Tinha razão em dizer isso. Aqueles momentos de tanta proximidade não terminavam nem começavam nos meus ou nos seus braços.
Sempre foi um ciclo, um caminho que se repete sem jamais cansar. Sentia, ao mesmo tempo, que estava segurando e sendo segurado, aquecendo e sendo aquecido, protegendo e sendo protegido.Quando fico longe, sinto falta demais daquele calor e daquela sensação de não saber onde termina meu toque para começar o seu. Fica faltando um pedaço, a tampa do pote, a capa do livro, o parmesão derretido em cima da lasanha que acaba de sair do forno. Bem, a falta é mais de descrever e mais difícil de lidar.
Não queria pensar nisso, mas é inevitável, acabo procurando o que está errado e vejo que você não está em volta. E tanto faz se faz cinco minutos, cinco dias ou cinco meses. Faz falta do mesmo jeito.
Nosso beijo
Muitas vezes, enquanto passávamos horas conversando sobre a vida, me perdia no assunto ao olhar para a sua boca. Pensava em como seria o seu gosto. Em poucos segundos elencava possibilidades, das melhores até as piores, com a expectativa boa vencendo sempre com facilidade. Afinal, seria frustrante demais descobrir que por falta de experiência, de tesão ou por alguma impossibilidade de encaixe, nosso beijo não fosse ser algo notável.
Mas sentia seu cheiro, mergulhava nos seus olhos, tocava sua pele e ouvia sua voz com adoração. Não podia dar errado. Não deu.
Nosso beijo teve gosto de fruta da estação. Aquela mais gostosa, que se come com fome e com mordidas grandes. Sinto um sumo bolindo com todos os meus sentidos. Parece pimenta, mas não arde, só aquece, amortece e deixa todos os outros sabores sem a mesma graça depois. Fica um gosto morno em torno dos lábios e da alma, que não me deixa nem quando você vai embora.
É o único doce que não enjoa nunca. Somado à nossa respiração tão ofegante quanto sincronizada, sinto um perfume que me hiptoniza e me transporta para um lugar onde o tempo está cristalizado. É um lugar que não sei descrever, mas é onde eu sempre quis estar. Lá estou sempre muito calmo, pois não procuro por mais nada.
Nosso adeus
Nosso adeus é fraquinho e mentiroso, de um jeito sem vergonha que só ele tem. Quantas vezes você me pediu para sumir? Quantas vezes eu já sumi sem você querer? Quantas vezes mais vou fingir que é viável viver sem pensar em você e no que fomos, no que somos, no que seremos?
Só que as circunstâncias forçam a atuação desse ator terrível. Ele entra em cena, não convence, só existe para insistir em ser ignorado. Digo adeus e percebo que tudo na minha volta faz lembrar você, que meu carro dirige sozinho para passar na frente da sua casa, que todas as coisas boas que eu planejo para mim, também já têm um lugarzinho reservado para você do meu lado. Você some do meu alcance, mas não sai da minha cabeça.
Dizer esse adeus definitivo seria o mesmo de enterrar uma versão muito boa de mim mesmo que foi criada sob medida para você. Tenho certeza de que essa versão ficaria perdida e nunca mais acharia ninguém para abraçar e para beijar do nosso jeito.